Senti. Os meus pés mergulhavam irrequietos por entre os teus, e as minhas mãos esboçavam os traços sublimes do teu sorriso. Prefiro perder-me assim, em ti, pelas manhãs de luz dourada que em segredo se evadem. O mundo lá fora não nos pertence. Gira suavemente procurando melodias de afecto. E aqui, o tempo não existe, o sonho embala os sentidos e a cidade ilumina o teu rosto. Abraça-me a pele, o corpo e a alma. Abraça-me e deixa que este momento permaneça em nós. Descubro em ti o sabor de beijos meigos, doces de afecto. Deslizam sem pressas, sem temer o que o amanhã esconde nas palavras. Um leve sopro delicia-nos com a sua ternura. Gosto de ti assim, tu, no teu ser imperfeito. Gosto de ti pelo que és em mim e por tudo o que sei ser em ti. E o resto, bem o resto, talvez um dia saiba compreender-nos. Um dia, talvez.