Leva-me.

Leva-me a um lugar encantado, longe dos dias atarefados e rotineiros, perante os quais me deparo sem forças, onde não há tempo para saborear o sol de Primavera, onde as pessoas irrequietas se acorrentam a coisas banais e fúteis. Leva-me a um outro continente, talvez, onde o tempo pare para calcar o solo tórrido, onde os dias não existem sem calor humano, onde as palavras são sinceras e os abraços arrepiantes. Leva-me àquele lugar que dizem primitivo nos gestos, na língua nativa, nas roupas "démodées" e no tom de pele cor de café, onde os animais são sagrados, onde a beleza não tem limite e os sorrisos não se esquecem jamais.
(Re)esvrever.

Revejo em mim a vontade de escrever. Nem sempre a inspiração me persegue e consome, como outrora teimava em fazê-lo. Agarro-me ao que tenho de mais impetuoso e que inevitavelmente me acalma. Não há dia em que não pare para escutar o coração e tudo o que de (in)congruente ele tem para me revelar. Não há dia em que não respire a leveza das coisas simples e por vezes tidas como insignificantes, mas, que no entanto, me incutem o alento e a força necessárias para enfrentar os medos e as incertezas. "Tenho um sonho nas minhas mãos". Um de muitos. Um de tantos que teimam em ficar em mim na certeza de que um dia vou concretizá-los.
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