O infinito e mais além.
Resta-me apenas reencontrar-me nessa imensidão de cores, luz e movimento. E mesmo que em mim me perca, procuro entender-me, talvez, num turbilhão de asas e emoções.
Hoje, apeteceu-me escrever(-te). Escrever, escrever-te, a ti. Como se de um pleonasmo cru e duro se tratasse. Pleonasmo vicioso, essa repetição de palavras, que se diz, por vezes, inútil. Eu chamar-lhe-ia, reforço de ideias, que expomos convictamente, numa ênfase literária e democrática. Hoje, mais do que nunca, fala-se em democracia, em deveres e direitos (?) do cidadão comum. Comum, nessa descrença na política, nos políticos, na certeza de permanecer na incerteza, incrédulos, apáticos, estereotipados e infelizes. Assim revejo, neste dia, que deveria ser de reflexão e ponderada deliberação, o acto inconscientemente banal e pouco cívico, de votar.
Pela manhã, as portas entre abertas do café deixam antever conversas, monótonas, entre raios de sol que se revelam crepitantes e cintilantes, absorvendo-me a alma, levando-me para lá dessas supérfluas palavras, que deixo de ouvir, a pouco e pouco, que deixo de ouvir, docemente, para me perder, pela manhã dourada, que talvez me ilumine num voto plenamente consciente.
Hoje vagueio por entre as colinas do meu quarto. São como a vida, que se mescla com as caixas de memórias que querendo esvaziar, não obstante, se amontoam. Sento-me ao centro, de uma forma algo imprópria para alma. O sol relembra-me que aqui estou, sentada, não a um canto ou encostada às paredes frias, mas bem profundo no seu coração, porque é dele que tudo parte. O tudo que hoje me faz recordar. O silêncio, às vezes, entranha-se nos nossos sentidos de modo tão intenso que parece que flutuamos num mundo que não nos pertence, mas o qual, no entanto, nos reconforta. As folhas soltas arrastam-se pelo chão e as mãos acariciam os leves traços de fotografias esbatidas. O sol relembra que aqui estou, e o tempo também.
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