Bossanova para alegrar a alma.

Em dias que teimam em arrefecer, em que as folhas nao cessam de cair e o vento de correr, revejo a musicalidade da Bossanova que tanto adoro. Apetece-me refugiar-me bem fundo na alma. Apetece-me balançar ao som quente de Bebel. Fechar os olhos, sentir e balançar.

La Femme.


Il était une fois une belle femme, sensuelle et émouvante. Elle avait des rêves extraordinaires, un amour irrationnel par la vie et par les petites choses qui la composent. Elle habitait dans une ville magnifique sur la côte, où le soleil partageait avec elle la douce fraîcheur de la mer et la folie des vagues. Tous les jours, elle se réveillait lentement sous la tendresse des draps en soie et souriait gentiment aux premiers rayons de soleil qui éclairaient la chambre. Après abandonner le lit, ses pieds nus déambulaient subtilement dans la maison, arrêtant au balcon pour respirer la pureté de la brise d’automne. Même sur la plage, les feuilles dorées, brunes et écarlates se mélangent pour former des agglomérés picturaux. Une petite fille joue tendrement avec un chien. Ils courent ensembles, dessinent ses empreintes sur le sable, en mouillant parfois les pieds dans l’eau gelée, tombent et continuent à s’amuser. La femme sourit. Elle sourit toujours. Cependant le froid de l’automne, les jours ennuyants et les rêves éloignés elle aime la vie tous les jours. Elle a le don naturel de sourire malgré tout. Elle a la fermeté nécessaire pour vaincre les jours gris.

Buon Giorno Principessa!


O mundo lá fora espera por mim. Até já. Saí para respirar o Sol de Outono.

Flocos de sonhos.


Não há sentimentos antagónicos capazes de reconfortar os meus sentidos. Pelo menos não por agora. Há dias em que o Sol parece invadir a penumbra do quarto, vaguear ternamente por entre os lençóis e sucumbir na alma, de carisma inquietante mas nunca em demasia. Gosto de rever-me em memórias vagas, de refazer um percurso às vezes duvidoso mas quase sempre nostálgico. Tenho saudades do muito que deixei para trás. E a verdade é que o passado não sustenta os dias que se seguem, perspicazes e fugazes, no entanto, acalma. Hoje encontrei um eu desfeito. Desfeito por não saber a quem pertence e por temer a falta de incentivo. Hoje, espero que o sol me volte a percorrer, serenamente, e que me leve a dançar sob a chuva de Outono. Tenho vontade de abraçar o mundo e mais uma vez, olvidei-me de alcançá-lo. Quiçá esboce um sorriso nos meus lábios, amanhã, entre o aroma a café e a pão torrado. Hoje não. Prefiro voltar a relembrar quem de mim um dia fez parte e que revejo à distância numa fotografia envelhecida de um álbum de infância. Recordo aqueles dias tranquilos e sem preocupações adultas, passados a brincar alegremente sob os flocos de neve. As mãos esvoaçantes percorriam-nos docemente, tentando alcançá-los e prendê-los no gélido seio da palma. Corpos diminutos de seres irrequietos compunham marchas excêntricas, rodopios e saltos enérgicos, como se uma balada deslizante esconde-se toda a magia de um sonho ingénuo de criança. Tenho uma lágrima hesitante no canto do olho. Porque por muitos anos que passem, vou sentir saudades dos meninos que riam loucamente da vida. Parte de mim ficou naquela tarde, sob a neve, à espera de voar mais alto.

United Colours of Vila Real, Autumn 09.




Hoje o sol convidou-me a sair e sorrir.

Pequeno clic.

Hoje saí para captar o meu pequeno mundo. Hoje percorri as mesmas ruas, os mesmos traços e as mesmas texturas de outros tempos. Nada difere, a essência mantém-se e as tonalidades também. O sol timidamente sorri por entre nuvens leves e eu, fecho os olhos e inspiro o aroma intenso do orvalho. As pessoas conversam alegremente, na praça ou no passeio, formando aglomerados coloridos e vivazes. Os bules de chá acompanham os deliciosos covilhetes, o café é bebido calmamente enquanto se folheia o jornal e o cheirinho a pão torrado transforma uma manhã qualquer de outono num sorriso primaveril. A pastelaria tem um cariz de loucos anos 20, boémia e sedutora, acolhedora e enternecedora. Fico um pouco a deliciar-me com o ambiente envolvente e com o melhor dos pequenos almoços. Os meus passos seguem então vagueando pela velha cidade. À medida que avanço, vou fotografando um pouco ao acaso. Os dias arrefeceram, o vento sopra e arrepia. Envolvo o pescoço com um lenço delicado, aperto os últimos botões do casaco de algodão e continuo a caminhar. Hoje saí para captar o meu pequeno mundo.

Quarto de Outono


Começa o mês de Outubro e com ele, os dias mais frios que apelam às mantas e às colchas quentinhas, aos lençois de algodão. No parque, as folhas iniciam a sua última dança cadente e timidamente despem-se dos verdes frescos para desfilarem com novas tonalidades. O vento rodopia fortemente para as fazer balançar uniformemente, em turbilhões desinquietos e indelicados. Hoje apetece-me comprar uma nova bicicleta, sair com ela e descobrir as primeiras essências do Outono, aromas térridos, frescos e frutados. Mas antes, deixa-me permanecer deitada no conforto dos teus braços, entre o branco dos lençóis, saborear um café intenso e deliciar-me com a ternura da manhã luminosa.