Esplanadar.
Dizem que o verbo não exite. Pelo menos não, por enquanto. Mas eu adoro-o. Faz-me sentir viva, esta pequena e melodiosa palavra. Esplanadar, e relembro logo o mar. Nadar. E depois esplanadar à beira mar. Hoje, esplanadar fez-se sob um sol intenso, que teimou em ficar, talvez por rebeldia ou para meu desassossego. O que importa agora, é que parece que chegou, devagarinho, mas para ficar. Pelo menos assim o espero. Uma esplanada tem algo de mítico. Inúmeras vezes relembrei um aromático café que me deliciou por secretos momentos, secretos na essência desse gesto quase banal, mas o qual, no entanto, eu absorvo com tanta magia. Nas mesas ao lado, conversa-se alegremente, balbuciam-se ternas palavras de amor, trocam-se olhares fortuitos e gestos delicados, gritam crianças numa correria louca e com sabor a verão, afastem-se as páginas do jornal da região, soltam-se beijos, revoltam-se livros e mais livros num turbilhão de conhecimentos. Revejo-me nas faces, nas expressões. Abraço as derradeiras molduras do quotidiano, pouso a chávena e continuo a estudar.
Vo Ar.
Percorre o vento e sente a vida a atravessar-te a alma, a deixar-te sem alento e a arrancar de ti uma força soberba.
The Tote, Mumbai.
Pain d'épices.


Tout à coup je me réveille. Je me souviens de mon rêve qui ne me quitte pas. Soudainement, je me lève et je regrette les jours laissés sous la pluie lourde et déplaisante. Les paroles douces d’autrefois me manquent et toutefois, je n’ai plus envie de parcourir les chemins secrets de la folie. Ici, je n’ai peur que du chagrin. Ici, le soleil se cache petit à peu, sous un éclat doré des champs d’épices.
Voltei, com mais força.
Deixa-me carregar o insustentável peso das minhas decisões, das escolhas por vezes imperfeitas e que, no entanto, me fazem avançar com ainda mais determinação. Revoltar-me-ia se tudo fosse bem mais fácil, porque, apesar de aliciante, prefiro a indelicadeza de um longo caminho. Deixa-me ser feliz assim, sem pensar no que poderia ter sido e não foi. Deixa-me aproveitar a aprendizagem que intensos momentos de euforia me proporcionaram, mesmo que me doa a alma, de tanto partir e voltar. Intensamente, intensamente, intensamente ecoam em mim. Como as pegadas que imprimo firmemente na vastidão da vida. E na escassez da imensa recordação. Voltei, avançando firmemente. Virei a página, guardo o início intacto no meu pequeno baú e o final, era uma vez um final diferente de todos os outros. Distinto talvez por ser o meu conto de fadas. Mas igual a tantos outros na sua essência. E foram felizes para sempre.
Respiro. E fico.
As incertezas persistem irrequietas perante a fragilidade dos dias. Pouso, repouso, respiro, protejo, protejo-me. Do inevitável e do inadiável. Mais o tempo passa, mais tropeço e rasgo o sonho. Hoje, tudo me parece mais longínquo. Agarro a mão que não vejo, agarro-a e fico. As horas partem e eu fico.
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