Dans le ventre de maman.






"Será sempre impossível determinar com um mínimo de segurança em que medida é que as nossas relações com outrem resultam dos nossos sentimentos, do nosso amor, do nosso desamor, da nossa benevolência ou do nosso ódio, e em que medida é que estão previamente condicionadas pelas relações de forças existentes entre os indivíduos.
A verdadeira bondade do homem só pode manifestar-se em toda a sua pureza e em toda a sua liberdade com aqueles que não apresentam força nenhuma. O verdadeiro teste moral da humanidade (o teste mais radical, aquele que por se situar a um nível tão profundo nos escapa ao olhar) são as suas relações com quem se encontra à sua mercê: isto é, com os animais. E foi aí que se deu o maior fracasso do homem, o desaire fundamental que está na origem de todos os outros."

(in A Insustentável Leveza do Ser, Milan Kundera)
























(Mario Testino)

Je ne regrette rien.


Something beautiful.











Quase, quase 96 anos de amor.


Adorável ser imprescindível na minha vida.


Wanderlust

Lust for comfort, suffocates the soul, relentless restlessness, liberates me, sets me free.

Chat Noir, chat Blanc.

Missing the music.



Ouço música enquanto estudo. A pressão é muita e a vontade, às vezes, quase sempre, pouca. Deixo-me levar pelos ritmos fortes que me acalmam. Há dias em que pareço fluir entre as linhas das quantidades indescritíveis de matéria. Fluo, deixo-me levar e esqueço por instantes as obrigações de estudante. Escuto a vida alegre que paira na rua. Vozes de jovens que aquecem a noite fria da cidade. Apetece juntar-me a eles e cantar vivazmente até de manhã. Dançar como só eu sei, desligando completamente do mundo que me rodeia e sentir a melodia. Até de manhã. Até que me doam os pés, sem parar. Sorrir e rir entre amigos. Dizer parvoíces, ver gente gira entre as cores da noite. Esquecer o que não importa e divertir-me. Assistir serenamente ao nascer do sol e à agitação matinal da cidade. Comprar pão quente e sentir-lhe o cheiro. Chegar a casa e dormir sem pensar no amanhã.

Bossanova para alegrar a alma.

Em dias que teimam em arrefecer, em que as folhas nao cessam de cair e o vento de correr, revejo a musicalidade da Bossanova que tanto adoro. Apetece-me refugiar-me bem fundo na alma. Apetece-me balançar ao som quente de Bebel. Fechar os olhos, sentir e balançar.

La Femme.


Il était une fois une belle femme, sensuelle et émouvante. Elle avait des rêves extraordinaires, un amour irrationnel par la vie et par les petites choses qui la composent. Elle habitait dans une ville magnifique sur la côte, où le soleil partageait avec elle la douce fraîcheur de la mer et la folie des vagues. Tous les jours, elle se réveillait lentement sous la tendresse des draps en soie et souriait gentiment aux premiers rayons de soleil qui éclairaient la chambre. Après abandonner le lit, ses pieds nus déambulaient subtilement dans la maison, arrêtant au balcon pour respirer la pureté de la brise d’automne. Même sur la plage, les feuilles dorées, brunes et écarlates se mélangent pour former des agglomérés picturaux. Une petite fille joue tendrement avec un chien. Ils courent ensembles, dessinent ses empreintes sur le sable, en mouillant parfois les pieds dans l’eau gelée, tombent et continuent à s’amuser. La femme sourit. Elle sourit toujours. Cependant le froid de l’automne, les jours ennuyants et les rêves éloignés elle aime la vie tous les jours. Elle a le don naturel de sourire malgré tout. Elle a la fermeté nécessaire pour vaincre les jours gris.

Buon Giorno Principessa!


O mundo lá fora espera por mim. Até já. Saí para respirar o Sol de Outono.

Flocos de sonhos.


Não há sentimentos antagónicos capazes de reconfortar os meus sentidos. Pelo menos não por agora. Há dias em que o Sol parece invadir a penumbra do quarto, vaguear ternamente por entre os lençóis e sucumbir na alma, de carisma inquietante mas nunca em demasia. Gosto de rever-me em memórias vagas, de refazer um percurso às vezes duvidoso mas quase sempre nostálgico. Tenho saudades do muito que deixei para trás. E a verdade é que o passado não sustenta os dias que se seguem, perspicazes e fugazes, no entanto, acalma. Hoje encontrei um eu desfeito. Desfeito por não saber a quem pertence e por temer a falta de incentivo. Hoje, espero que o sol me volte a percorrer, serenamente, e que me leve a dançar sob a chuva de Outono. Tenho vontade de abraçar o mundo e mais uma vez, olvidei-me de alcançá-lo. Quiçá esboce um sorriso nos meus lábios, amanhã, entre o aroma a café e a pão torrado. Hoje não. Prefiro voltar a relembrar quem de mim um dia fez parte e que revejo à distância numa fotografia envelhecida de um álbum de infância. Recordo aqueles dias tranquilos e sem preocupações adultas, passados a brincar alegremente sob os flocos de neve. As mãos esvoaçantes percorriam-nos docemente, tentando alcançá-los e prendê-los no gélido seio da palma. Corpos diminutos de seres irrequietos compunham marchas excêntricas, rodopios e saltos enérgicos, como se uma balada deslizante esconde-se toda a magia de um sonho ingénuo de criança. Tenho uma lágrima hesitante no canto do olho. Porque por muitos anos que passem, vou sentir saudades dos meninos que riam loucamente da vida. Parte de mim ficou naquela tarde, sob a neve, à espera de voar mais alto.

United Colours of Vila Real, Autumn 09.




Hoje o sol convidou-me a sair e sorrir.

Pequeno clic.

Hoje saí para captar o meu pequeno mundo. Hoje percorri as mesmas ruas, os mesmos traços e as mesmas texturas de outros tempos. Nada difere, a essência mantém-se e as tonalidades também. O sol timidamente sorri por entre nuvens leves e eu, fecho os olhos e inspiro o aroma intenso do orvalho. As pessoas conversam alegremente, na praça ou no passeio, formando aglomerados coloridos e vivazes. Os bules de chá acompanham os deliciosos covilhetes, o café é bebido calmamente enquanto se folheia o jornal e o cheirinho a pão torrado transforma uma manhã qualquer de outono num sorriso primaveril. A pastelaria tem um cariz de loucos anos 20, boémia e sedutora, acolhedora e enternecedora. Fico um pouco a deliciar-me com o ambiente envolvente e com o melhor dos pequenos almoços. Os meus passos seguem então vagueando pela velha cidade. À medida que avanço, vou fotografando um pouco ao acaso. Os dias arrefeceram, o vento sopra e arrepia. Envolvo o pescoço com um lenço delicado, aperto os últimos botões do casaco de algodão e continuo a caminhar. Hoje saí para captar o meu pequeno mundo.

Quarto de Outono


Começa o mês de Outubro e com ele, os dias mais frios que apelam às mantas e às colchas quentinhas, aos lençois de algodão. No parque, as folhas iniciam a sua última dança cadente e timidamente despem-se dos verdes frescos para desfilarem com novas tonalidades. O vento rodopia fortemente para as fazer balançar uniformemente, em turbilhões desinquietos e indelicados. Hoje apetece-me comprar uma nova bicicleta, sair com ela e descobrir as primeiras essências do Outono, aromas térridos, frescos e frutados. Mas antes, deixa-me permanecer deitada no conforto dos teus braços, entre o branco dos lençóis, saborear um café intenso e deliciar-me com a ternura da manhã luminosa.

A música acalma os meus dias intensos.

Intensamente, Portugal.







O verão deixou em mim alguma nostalgia. Intensamente, respirei pequenas maravilhas do meu Portugal que fui descobrindo a pouco e pouco. O meu sorriso despertou os meus sentidos e a cada passo, a euforia de sugar os momentos serenos que me deliciavam, esboçava em mim um simples e meigo sorriso. Um "Bom dia" deixou de ser uma expressão banal, usual e vazia.

Caminhava maravilhada com os recantos amorosos da pequena vila de pescadores. Pormenores. Luz. Enquadramento. Sombra. Cor. Memória. Tonalidade. Fotografia. Assim deambulava eu, ao acaso, rodopiando, saltitando, balançando, sem pressas, sem tempos e com paixão.
Dez horas da manhã. O aroma intenso a café e a doces tentações paira no ar. No mercado cruzam-se conversas, experiências, gargalhadas e afectos. Numa ruela quente e solarenga, uma velhinha alimenta dois gatos famintos. Os gestos são delicados, o olhar é terno e a cumplicidade é inesquecível. A vida lá fora não pára. Pequenos momentos sublimes que procuro a cada instante para ser feliz.

Blueberries, love them


Mirtilos. Pequenos. Deliciosos. Nutritivos. Versáteis. Azul-púrpura. Saudável. Vida.

A intensidade dos meus sonhos capta a essência de cada momento. Em cada gesto, em cada palavra, ambígua ou supérflua, encontro a delicadeza de um incentivo. Os meus dias perseguem-me e consomem-me, fugazes na sua incrível fraqueza. Hesito, mas sigo as pegadas da vontade e resisto. "Não desiste", sussurra-me a determinação ao ouvido. Levanta. Hoje vais correr e sentir-te a ti, somente a ti. Força.

Au(revoir) l'été






L’Été qui s’en va. Encore ici et tu me manques. Les jours à la plage, ou j’ai senti la vie merveilleusement, la joie et la folie que je n’oublie pas, déguisées secrètement sous les petits grains de sables. Bientôt, le soleil d’automne reviendra et laissera sa marque dorée sur les feuilles secouées par le vent. Les mémoires partent sans délicatesse et mes pieds regrettent l’essence douce de la mer. C’est un plaisir sans partage, un amour fabuleux qui me sourit à chaque lettre susurrée. Et je balance, et je rêve, et je ri, et je joue, et je sens, et je tourne, et je m’amuse. Je redeviens l’enfant qu’autrefois adorait embrasser la tendresse de l’Été. Tu me manques et tu me manqueras plus encore à l’hiver.