Hoje, apeteceu-me escrever(-te). Escrever, escrever-te, a ti. Como se de um pleonasmo cru e duro se tratasse. Pleonasmo vicioso, essa repetição de palavras, que se diz, por vezes, inútil. Eu chamar-lhe-ia, reforço de ideias, que expomos convictamente, numa ênfase literária e democrática. Hoje, mais do que nunca, fala-se em democracia, em deveres e  direitos (?) do cidadão comum. Comum, nessa descrença na política, nos políticos, na certeza de permanecer na incerteza, incrédulos, apáticos, estereotipados e infelizes. Assim revejo, neste dia, que deveria ser de reflexão e ponderada deliberação, o acto inconscientemente banal e pouco cívico, de votar.
Pela manhã, as portas entre abertas do café deixam antever conversas, monótonas, entre raios de sol que se revelam crepitantes e cintilantes, absorvendo-me a alma, levando-me para lá dessas supérfluas palavras, que deixo de ouvir, a pouco e pouco, que deixo de ouvir, docemente, para me perder, pela manhã dourada, que talvez me ilumine num voto plenamente consciente.

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