Hoje saí para captar o meu pequeno mundo. Hoje percorri as mesmas ruas, os mesmos traços e as mesmas texturas de outros tempos. Nada difere, a essência mantém-se e as tonalidades também. O sol timidamente sorri por entre nuvens leves e eu, fecho os olhos e inspiro o aroma intenso do orvalho. As pessoas conversam alegremente, na praça ou no passeio, formando aglomerados coloridos e vivazes. Os bules de chá acompanham os deliciosos covilhetes, o café é bebido calmamente enquanto se folheia o jornal e o cheirinho a pão torrado transforma uma manhã qualquer de outono num sorriso primaveril. A pastelaria tem um cariz de loucos anos 20, boémia e sedutora, acolhedora e enternecedora. Fico um pouco a deliciar-me com o ambiente envolvente e com o melhor dos pequenos almoços. Os meus passos seguem então vagueando pela velha cidade. À medida que avanço, vou fotografando um pouco ao acaso. Os dias arrefeceram, o vento sopra e arrepia. Envolvo o pescoço com um lenço delicado, aperto os últimos botões do casaco de algodão e continuo a caminhar. Hoje saí para captar o meu pequeno mundo.

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