Timidamente, o sol mostrou hoje as suas primeiras tonalidades mágicas, sobre as montanhas despidas, sobre a calçada por onde deambulam mentes absortas em banalidades quotidianas, após dias gélidos, pluviosos e ventosos. São raios de luz raros mas preciosos, preciosos como o ar que respiro a cada instante. Algures pela manhã, reconforto-me com um leite quente enquanto folheio as notícias no jornal. Uma pequena ilha das Caraíbas, o país mais pobre do continente americano, vive dias obscuros, entre escombros, cadáveres e o silêncio após a dor. Mesmo que o sol brilhe nas ruas de Port-au-Prince, ninguém o sente. Não há tempo, não há forças, não há vida. E se este país, após anos de ditadura, crise e instabilidade, foi incapaz de se desenvolver, tudo o que poderia ser um dia símbolo de prosperidade, ruiu hoje, juntamente com o sonho de um número incalculável de pessoas. Toda a ajuda internacional é bem-vinda, agora e depois.
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