Tão leve o sopro da alma. Tão leve. Paro para escutá-lo. Sim, é leve. Leve, quando o meu ser se acalma de dias incessantes, de emoções fortes e de palavras que evito dizer. Às vezes, o coração acalma, mesmo não querendo, incansável nas suas incoerências e na forte luta por ser ouvido. Porque por mais que queira, nem sempre é fácil e tudo o que inabalavelmente alterado assusta. O silêncio nestes dias de neve imaculada subtilmente me revitaliza e infrutiferamente ecoa no meu ouvido para me proteger nas escolhas do dia-a-dia. Nem sempre sei ser eu, tão relutante no pensamento e no sentir. Nem sempre me mostro pertinente nas minhas opções que outrora teimava em seguir sem temor. O amanhã pode reservar-se belo, talvez incerto, mas o que é certo é que espero por ele, mesmo nesse turbilhão difícil de compreender e seguir, que é a vida. Guardo os sonhos que um dia, em criança, sonhei ingenuamente e deliberadamente. Mesmo com os pés descalços, na areia de uma praia amada ou numa rua qualquer de esta cidade que por vezes me sufoca, seguirei em frente, confiante, nostálgica sim, mas não em demasia, libertar-me-ei dos meus medos e alcançarei a minha própria felicidade. Doce, terna e contagiante, como sonhei um dia.

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