O comboio parte à hora prevista, sem demoras, apinhado de gente apressada e sem lugares vazios para me sentar. À minha volta, dezenas de estudantes que como eu anseiam por um fim-de-semana perto da família e de amigos de infância. A viagem acalma-me, o dia escurece, o sol teima em não brilhar e apesar do cinzento carregado das nuvens, a paisagem faz-se bela. Bela pela simplicidade e pela genuidade das aldeias que a linha percorre. Uns entram e outros saem. Chegados ao destino, desaparecem à medida que a carruagem avança. Finalmente em Braga, uma visita rápida ao centro que tanto me atrai, algumas ruas que a alma absorve com ternura, pessoas que se encontram e conversam fortuitamente, outras que vagueiam indiferenciadamente no meio da multidão. Doces tentações abrem-me o apetite, numa confeitaria centenária da baixa. Sento-me por instantes longos, para saborear um lanche algo merecido após alguns momentos de caminhada pela cidade. Foram dias maravilhosos que se seguiram, de amizades de sempre que se reforçaram, de risos trocados no meio de conversas tão ansiadas, de abraços fortes jamais esquecidos. E para tornar estes dias mais perfeitos ainda, o doce beijo no avô amado, as brincadeiras com a traquina Gabi, os miminhos aos bichinhos da aldeia e a ronha com os pais.
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