Esplanadar.



Dizem que o verbo não exite. Pelo menos não, por enquanto. Mas eu adoro-o. Faz-me sentir viva, esta pequena e melodiosa palavra. Esplanadar, e relembro logo o mar. Nadar. E depois esplanadar à beira mar. Hoje, esplanadar fez-se sob um sol intenso, que teimou em ficar, talvez por rebeldia ou para meu desassossego. O que importa agora, é que parece que chegou, devagarinho, mas para ficar. Pelo menos assim o espero. Uma esplanada tem algo de mítico. Inúmeras vezes relembrei um aromático café que me deliciou por secretos momentos, secretos na essência desse gesto quase banal, mas o qual, no entanto, eu absorvo com tanta magia. Nas mesas ao lado, conversa-se alegremente, balbuciam-se ternas palavras de amor, trocam-se olhares fortuitos e gestos delicados, gritam crianças numa correria louca e com sabor a verão, afastem-se as páginas do jornal da região, soltam-se beijos, revoltam-se livros e mais livros num turbilhão de conhecimentos. Revejo-me nas faces, nas expressões. Abraço as derradeiras molduras do quotidiano, pouso a chávena e continuo a estudar.

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